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O meu amigo morreu em julho. Dia 13. A irmã dele, de quem eu não gostava muito, se isolou. Nós não morávamos na mesma cidade, então depois de um tempo em outra visita (nossa), tudo estava voltando ao normal. A irmã ganhava muitos presentes e eu comecei a achar ela mais legal. Eu lembro desse momento, não sei se pouco tempo depois de ele morrer, ou pouco tempo antes da minha irmã morrer. Mas era muito legal. Nós tínhamos uma pequena gangue, gangue mesmo, por que a gente pulava o muro da casa dos outros, roubava fruta das árvores dos outros, corria quando via um camaleão e contava piadas durante toda a tarde com os pés descalços em uma terra cheia de formiga. Teve uma vez que tinha um riachinho, bem pequeno, e a gente tinha que atravessar. Eu era bastante corajosa (menos quando subia em árvore, porque tinha medo de altura) e pulei rápido pelo riacho. Minha irmã pequetitita mas nem tão pequetita já que só era um ano mais nova que eu, ficou com medo. E nesse momento eu tive muito medo. Eu imaginei ela caindo no riacho, indo embora com a água, se afogando, eu nunca mais vendo. Eu fiquei tão desesperada, muito desesperada pra alguém que devia ter 10 anos de idade. Não lembro como mas ela atravessou e eu fiquei feliz, eu não queria ser igual a menina que perdeu o irmão, era muito ruim. Depois a minha irmã ficou doente, veio pra cidade em que hoje eu moro pra fazer tratamento e me mandaram pro interior porque a gente nessa época já não tinha mais pai (também morreu) e não tinha quem tomasse conta. Eu tinha 12 anos. Eu lembro que toda as noites, antes de ir por parquinho ruim que tinha na praça da igreja, a gente rezava. A menina que perdeu o irmão antes de mim liderava a reza, os ave maria, os pai nosso, até terço a gente usava. A gente não queria que ela se fosse. Não podia mais uma na gangue não ter mais irmão. Mas ela se foi. No dia que ela se foi eu vi um avião gigante entrando pela janela, eu vi o prédio caindo, eu me vi sumindo. Eu vi o céu, eu vi as estrelas, eu vi tudo negro. Depois disso eu não falei mais com a menina que perdeu o irmão antes de mim. Eu sabia a dor dela. Eu não aguentava essa dor em dobro. 
Ps: Agora eu lembrei como a gente passou pelo riachinho. Tinha um ponto em que tinha um muro e que dava pra subir no muro pra atravessar por cima. O muro era alto e eu fiquei com medo. 
Sep 21, 2014 / 15,474 notes

O meu amigo morreu em julho. Dia 13. A irmã dele, de quem eu não gostava muito, se isolou. Nós não morávamos na mesma cidade, então depois de um tempo em outra visita (nossa), tudo estava voltando ao normal. A irmã ganhava muitos presentes e eu comecei a achar ela mais legal. Eu lembro desse momento, não sei se pouco tempo depois de ele morrer, ou pouco tempo antes da minha irmã morrer. Mas era muito legal. Nós tínhamos uma pequena gangue, gangue mesmo, por que a gente pulava o muro da casa dos outros, roubava fruta das árvores dos outros, corria quando via um camaleão e contava piadas durante toda a tarde com os pés descalços em uma terra cheia de formiga. Teve uma vez que tinha um riachinho, bem pequeno, e a gente tinha que atravessar. Eu era bastante corajosa (menos quando subia em árvore, porque tinha medo de altura) e pulei rápido pelo riacho. Minha irmã pequetitita mas nem tão pequetita já que só era um ano mais nova que eu, ficou com medo. E nesse momento eu tive muito medo. Eu imaginei ela caindo no riacho, indo embora com a água, se afogando, eu nunca mais vendo. Eu fiquei tão desesperada, muito desesperada pra alguém que devia ter 10 anos de idade. Não lembro como mas ela atravessou e eu fiquei feliz, eu não queria ser igual a menina que perdeu o irmão, era muito ruim. Depois a minha irmã ficou doente, veio pra cidade em que hoje eu moro pra fazer tratamento e me mandaram pro interior porque a gente nessa época já não tinha mais pai (também morreu) e não tinha quem tomasse conta. Eu tinha 12 anos. Eu lembro que toda as noites, antes de ir por parquinho ruim que tinha na praça da igreja, a gente rezava. A menina que perdeu o irmão antes de mim liderava a reza, os ave maria, os pai nosso, até terço a gente usava. A gente não queria que ela se fosse. Não podia mais uma na gangue não ter mais irmão. Mas ela se foi. No dia que ela se foi eu vi um avião gigante entrando pela janela, eu vi o prédio caindo, eu me vi sumindo. Eu vi o céu, eu vi as estrelas, eu vi tudo negro. Depois disso eu não falei mais com a menina que perdeu o irmão antes de mim. Eu sabia a dor dela. Eu não aguentava essa dor em dobro. 

Ps: Agora eu lembrei como a gente passou pelo riachinho. Tinha um ponto em que tinha um muro e que dava pra subir no muro pra atravessar por cima. O muro era alto e eu fiquei com medo. 

(via secondhoneypie)

hard-work:

Tommy Coleman
THINGS CHANGE Paint, Cardboard, Yarn2013 
Sep 21, 2014 / 26,293 notes

hard-work:

Tommy Coleman

THINGS CHANGE
Paint, Cardboard, Yarn
2013 

(via herekitty)

Sep 21, 2014 / 390 notes
Sep 21, 2014 / 96 notes
Sep 21, 2014 / 1,745 notes
Ai mundo, para.
Sep 17, 2014

Ai mundo, para.

Sep 16, 2014 / 50,100 notes

mymodernmet:

Louisiana-based photographer Frank Relle captures the nighttime magic of New Orleans in his ongoing series New Orleans Nightscapes. He uses long exposures to capture the feeling of the powerful, haunting beauty throughout his hometown.

(via sanvonzombie)

Sep 16, 2014 / 73,797 notes

nikitachiquitabananaa:

oh-flern:

Jean-Ralphio Singing At People

tooooo good. 

(via boredcarla)

rimbaudwasademonchild:

Lydia Lunch photographed by Ebet Roberts
Sep 15, 2014 / 129 notes
wgsn:

Sheer pleated perfection seen at @Burberry today. #SS15 #LFW
Sep 15, 2014 / 164 notes

wgsn:

Sheer pleated perfection seen at @Burberry today. #SS15 #LFW